Por que, às vezes, mesmo depois de anos de terapia, continuamos repetindo os mesmos padrões da nossa família de origem? E por que, em muitas abordagens espirituais e psicológicas diferentes — das Constelações Familiares Sistêmicas de Bert Hellinger ao havaiano Ho’oponopono, passando pela metafísica não-dualista de Um Curso em Milagres — a resposta sempre volta para o mesmo lugar: o campo de relações que herdamos e as memórias que carregamos?
Foi exatamente esse cruzamento que a psicóloga transpessoal Eliana Press conduziu em um bate-papo aberto com sua equipe de terapeutas, disponível no canal do Instituto no YouTube. Neste artigo, resumimos os principais pontos da conversa e explicamos por que esse tipo de leitura integrativa é tão valioso — tanto para quem já atua como terapeuta quanto para quem está buscando ajuda para si.
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Quem é Eliana Press
Antes de entrar no conteúdo, vale entender por que essa é uma voz que merece ser ouvida com atenção neste tema.
Eliana Press é especialista em Psicologia Integrativa e Terapia Transpessoal, com 35 anos de experiência e mais de 600 sessões realizadas. Ela atua em Florianópolis e também online, acompanhando adultos que buscam autoconhecimento, equilíbrio emocional e clareza em momentos de transição pessoal ou profissional — incluindo um trabalho dedicado a pessoas com mais de 55 anos, orientação de carreira, Terapia de Renascimento e processos de crise de transformação e emergência espiritual.
Mas o que diferencia Eliana não é só a prática clínica: ela é pioneira — foi responsável por desenvolver a primeira pós-graduação do Brasil em Psicologia Transpessoal reconhecida pelo MEC, e há mais de 25 anos forma outros terapeutas como professora e diretora do Instituto Atitude Ahimsa de Pós-graduação. É pós-graduada em Psicologia Transpessoal, Psicopedagogia e Sustentabilidade Aplicada à Educação, e graduada em Pedagogia. Como Pessoa Altamente Sensível (PAS), também traz um olhar atento ao acolhimento de pessoas neurodivergentes.
Ou seja: quando Eliana propõe uma releitura das Constelações Familiares a partir de outros sistemas de pensamento, ela fala não como alguém testando uma teoria nova, mas como alguém que formou uma geração de terapeutas dentro da abordagem integrativa transpessoal — e que está, ela mesma, viva no processo de aprofundar e questionar as próprias ferramentas.
O que são as Constelações Familiares Sistêmicas
Criadas pelo terapeuta alemão Bert Hellinger, as Constelações Familiares partem da ideia de que fazemos parte de um sistema — a família — regido por certas “leis”, frequentemente chamadas de leis do amor:
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- A lei do pertencimento: todo membro de um sistema familiar tem direito a pertencer a ele, independentemente do que tenha feito.
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- A lei da hierarquia: quem chegou primeiro no sistema (os pais, os avós, os antepassados) tem precedência sobre quem chegou depois.
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- A lei do equilíbrio entre dar e receber: nas relações entre iguais (como um casal), busca-se um equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe; já entre pais e filhos, o fluxo é unidirecional — dos pais para os filhos, sem exigência de retribuição.
Essas “leis” funcionam como um mapa para entender emaranhados familiares — lealdades invisíveis, papéis invertidos entre pais e filhos, ou dinâmicas que se repetem geração após geração.
O encontro entre Hellinger, o Curso em Milagres e o Ho’oponopono
É aqui que a conversa conduzida por Eliana se torna especialmente rica. Ao invés de tratar as leis de Hellinger como verdades absolutas, o grupo propõe olhar para elas a partir do referencial de Um Curso em Milagres (UCEM) — um sistema de pensamento que distingue o “mundo das formas” (o campo do ego, das relações, do tempo e do espaço) da “unidade” (o nível do Amor verdadeiro, onde não há separação nem hierarquia).
Alguns pontos centrais da discussão, com seus respectivos momentos no vídeo:
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- [00:00–03:57] As “leis do amor” são, na verdade, leis do relacionamento. O grupo propõe que o que Hellinger chama de “leis do amor” descreve o funcionamento das relações no nível do ego — e não o Amor incondicional da unidade descrito pelo Curso. Reconhecer essa diferença evita transformar uma ferramenta terapêutica em dogma espiritual.
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- [04:52–07:48] O risco de levar o “equilíbrio” ao pé da letra. Um exemplo é discutido: a ideia, atribuída a certas leituras de Hellinger, de que se uma pessoa trai a outra, a parte traída precisaria “desequilibrar” também para restaurar a relação. O grupo é enfático em apontar isso como uma manifestação do ego, não como um caminho de cura — reforçar o desequilíbrio tende a aprofundar a ferida, não resolvê-la.
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- [08:41–10:31] Hierarquia como recurso pedagógico para o ego, não como verdade última. Segundo o Curso, “não existe hierarquia em ilusões” — mas, no mundo das formas, reconhecer a ordem entre gerações (pais antes dos filhos) ainda cumpre a função terapêutica de ajudar o ego a se curvar, em vez de disputar autoridade o tempo todo.
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- [15:24–17:54] Pais e filhos: um fluxo que não pede troca. Um dos pontos mais bonitos da conversa: o fluxo de dar entre pais e filhos vai do anterior para o próximo — os pais deram a vida, e isso não gera dívida a ser equilibrada. Isso não significa ausência de cuidado mútuo na velhice, mas retira o peso da culpa e da obrigação como motor da ajuda.
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- [33:40–38:45] Relatos pessoais: quando os papéis se invertem. Participantes do grupo, incluindo a própria Eliana, compartilham experiências de terem sido colocados — ainda crianças ou adolescentes — no papel de cuidar emocionalmente dos próprios pais. A Constelação Familiar é descrita como uma ferramenta que ajudou a nomear e desfazer essa inversão, devolvendo a cada um o seu lugar no sistema.
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- [46:49–55:45] Ho’oponopono como continuidade prática. A conversa faz a ponte com o Ho’oponopono — técnica ancestral havaiana de “corrigir o erro e fazer certo” — apresentando o conceito de memórias criadas (experiências vividas diretamente) e memórias compartilhadas (crenças e padrões herdados da família e da comunidade). Limpar essas memórias, segundo essa leitura, também impacta as gerações futuras, não apenas o indivíduo.
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- [58:40–59:46] Tudo é espelho. Fecha-se o círculo com a ideia — comum às três abordagens — de que as relações (inclusive as mais difíceis) funcionam como espelhos daquilo que ainda precisa ser curado internamente, e que assumir responsabilidade por essa percepção é o que abre caminho para a transformação.
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- [41:54–44:09] Constelação Familiar como degrau, não como destino. Uma síntese importante do grupo: ferramentas como a Constelação Familiar e a Comunicação Não-Violenta (CNV) são vistas como degraus valiosos dentro do processo de cura — recursos legítimos e necessários enquanto ainda se caminha pelo mundo das formas, mesmo que, num nível mais profundo, apontem para algo além de si mesmas.
Por que essa leitura importa para terapeutas
Para quem atua profissionalmente com Constelação Familiar, Terapia Transpessoal ou abordagens integrativas, essa conversa é um convite a praticar com mais consciência e menos dogmatismo. Pontos que se destacam:
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- A importância de não transformar técnicas em regras rígidas — especialmente em temas delicados como traição, luto ou cuidado com pais idosos, onde interpretações literais podem gerar culpa em vez de cura.
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- O valor de integrar diferentes sistemas de pensamento (sistêmico, transpessoal, espiritual) sem hierarquizá-los como “certo” ou “errado”, mas reconhecendo o nível de consciência que cada um endereça.
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- A responsabilidade terapêutica de ajudar o paciente a sair do lugar de vítima sem negar a legitimidade da dor sentida.
É exatamente esse tipo de formação — rigorosa, mas aberta ao diálogo entre escolas — que Eliana Press oferece há mais de 25 anos como diretora do Instituto Atitude Ahimsa.
Por que essa leitura importa para quem busca terapia
Se você chegou até aqui como paciente, ou como alguém pensando em iniciar um processo terapêutico, o recado central da conversa é simples e libertador: os padrões que você repete não são culpa sua, e também não precisam virar prisão para sempre.
Entender que existem “leis” invisíveis regendo a família — e que essas leis podem ser trabalhadas, ressignificadas e, com o tempo, transcendidas — é o primeiro passo para parar de repetir uma história e começar a escrever a próxima.
Se esse conteúdo ressoou com você, conhecer o trabalho de Eliana Press é um bom próximo passo. Você pode ver o perfil completo dela, sua formação e como agendar uma sessão de Terapia Transpessoal ou Terapia de Renascimento na página dela na Futuroterapia.


